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Dez erros comuns na redação científica

Dez erros comuns na redação científica

A atividade profissional de pesquisador não exige apenas que o mesmo “produza” ciência; ele precisa “escrever” ciência também. E embora uma boa escrita não cause a publicação de ciência ruim, má escrita com freqüência retarda a publicação de boa ciência.

Os princípios indispensáveis à redação científica podem ser resumidos em quatro pontos fundamentais: clareza, precisão, comunicabilidade e consistência. Ninguém aprende a escrever bem da noite para o dia, ao passo que não se escreve sem leituras e/ou estudos anteriores. Abaixo, segue apenas alguns erros cometidos durante a elaboração de textos científicos.

Atenção: estas dicas são válidas para trabalhos relacionados às ciências experimentais. As ciências sociais possuem um estilo completamente diferente.

1. Linguagem pessoal.
Escreva na terceira pessoa do singular. Se o seu nome está relacionado entre os autores do trabalho, fique tranqüilo, todos os leitores irão supor que ele foi realizado por você. Textos em primeira pessoa são utilizados geralmente para relatórios e outros tipos de comunicação, como este blog, por exemplo.

2. Seqüência confusa.
Antes de iniciar, organize um roteiro com as idéias e a ordem em que elas serão apresentadas. Estabeleça um plano lógico para o texto. Só escreve com clareza quem tem as idéias claras na mente.

3. Frases longas.
Frases longas dificultam a leitura e a compreensão do leitor, além de tornar o seu texto muito cansativo. Prefira colocar ponto e iniciar nova frase a usar vírgulas. Uma frase repleta de vírgulas está pedindo pontos. Na dúvida, use o ponto. Se a informação não merece nova frase não é importante e pode ser eliminada.

4. Palavras ambíguas.
Em um texto científico, cada palavra deve traduzir exatamente o pensamento que se deseja transmitir, não deve haver margem para interpretações. Evite utilizar linguagem muito rebuscada ou termos desnecessários.

5. Personalização de seres inanimados.
Este é um erro freqüente. Gráficos, tabelas e resultados não são pessoas, por isso, eles não mostram, não indicam e nem apresentam coisa alguma. Combinado?

6. Repetição de palavras.
Aqui podemos citar dois erros: quando a mesma palavra é utilizada várias vezes em uma frase ou parágrafo e a tautologia. A tautologia é a repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido, como no caso de “duas metades iguais” e “agrupados conjuntamente.”

7. Frases em ordem invertida.
Prefira frases em ordem direta. Se você não lembra mais das aulas de português do colegial, vamos fazer uma revisão de conteúdo. Na hora de construir as orações, utilize a seguinte estrutura: sujeito + verbo + complementos e/ou adjuntos. Não tem erro.

8. Cacofonia.
Cacofonia é a utilização de palavras com sons desagradáveis. Algumas vezes a leitura das palavras na seqüência estabelecida acaba produzindo um som desagradável ou com outro sentido, como em “uma por cada tratamento” (uma porcada). Cuidado com a ocorrência de rimas também. Texto científico não é poema.

9. Palavras inúteis.
Corte todas as palavras inúteis ou que acrescentam pouco ao conteúdo, com ênfase nos adjetivos e advérbios que não irão fazer falta. Utilize apenas palavras precisas e específicas. Dentre elas, prefira as mais simples, usuais e curtas.

10. Marcas comerciais.
Caso seu trabalho tenha sido patrocinado por alguma empresa, mostre toda a sua gratidão em um item “agradecimentos”, após a conclusão. No decorrer do texto utilize o nome comum ou científico do produto.

Postado por

Data: 22 de junho de 2010

Categoria: guia.

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Comentários

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  • Marina

    Puxa vida, sempre leio o seu blog, volta e meia comento, mas não gostei desse post, não. Faço mestrado em Linguística e, justamente por estudar língua há 6 anos e ser professora de redação nas horas de folga (horas de folga? hehe) vejo que as coisas que você reproduziu aí não são regras (no sentido de que ninguém é obrigado a fazer isso) e, pior, não garantem um texto melhor. Dizer que adjetivos e advérbios não fazem falta foi jogar no lixo toneladas de pesquisa sobre eles. Sobre a citar você mesmo na terceira pessoa, a minha orientadora sempre – SEMPRE – me diz que não devo fazer, porque parece que eu sou esquizofrênica. Quer dizer, não é passando um trator sobre a variedade que a gente garante textos melhores. Além disso, acho que um post assim mostra que o que se entende por texto científico são pesquisas em ciências exatas ou biológicas, e não nas humanas ou letras. Porque uma pessoa das ciências humanas só tem a língua como instrumental de laboratório e jamais diria que adjetivos não dizem nada. Espero ter contribuído para criar um debate, não uma revolução xiíta (olha meu adjetivo fazendo toda a diferença). =)

    • Geisonizidio

      ainda bem q tu falaste q “se entende por texto científico são pesquisas em ciências exatas ou biológicas, e não humanas ou letras”. Pq o post apesar de não serem regras, relata 10 dicas que melhoram e muiiiiiiito a redação científica na nossa área. Falar em primeira pessoa é DEPRIMENTE  visto q seu trabalho nunca foi realizado sozinho. Os adjetivos tbém são normalmente uma fonte de erro enorrrrrme entre alunos iniciantes, que quase sempre exageram no uso deles e complicam o texto.

  • Marcelo

    A intenção do texto é ótima, mas é um tanto ou quanto limitador. Por mais que eu perceba que ele é voltado para as áreas duras, é importante lembrar que Português não é Inglês. Muito do que você apontou faz um ótimo texto em Inglês, mas, provavelmente, um texto ruim em Português. Buscar a precisão e a inteligibilidade não pode significar a sonegação de alguns elementos da oração que são tradicionais nas línguas latinas.

  • Claudia Cruz

    Obrigada por deixar claro que as regras se aplicam à pesquisa experimental. Claro que muitas são válidas para qualquer pesquisa, como “Sequência Confusa”, mas em pesquisa qualitativa, as regras são um pouco diferentes, como por exemplo, o uso da 1a. pessoa do singular.

  • Daniel

    Legal o post, mas não concordo com o item 5: personalização de seres inanimados. Já vi ótimos artigos em que “a figura mostra” ou “o gráfico apresenta”, etc. Essa é uma crítica até antiga, mas o que não fica claro é o que devemos utilizar no lugar disso. Se a figura não mostra, ela faz o que?

    “Tem-se na figura X o diagrama do processo…”
    “Na figura X é mostrado o diagrama…”
    “A figura X mostra o diagrama..”

    Pra mim, essas três frases têm a mesma semântica. Não vejo motivo para não usá-las. Além disso, acho a última bem simples e intuitiva.

    • Andre Smarra

      Concordo.

    • http://www.posgraduando.com/ posgraduando

      “a figura mostra” pode ser substituído por algo do tipo “na Figura 03, pode-se observar…” ou então “na Figura 03 estão representados os dados de…”

      Entretanto, a recomendação é a de que este tipo de frase seja suprimida do texto. Basta fazer a análise da variável ou do tema da figura e colocar entre parênteses, no final da frase, a chamada da figura (Figura 03).

  • http://www.cognosinfo.com/ Myuki

    Oi!! muito bacana seu blog. Parabéns!

    trabalho com revisão de monografias, dissertações e teses, além de formatação dentro das normas dos variados cursos. Não somos fabricantes de estudos científicos e somos 1000% contra a fraude acadêmica… infelizmente, tão em alta hj em dia. Nós propiciamos o suporte q um pós-graduando sério necessita para o desenvolvimento de seu estudo. Revisamos, sugerimos melhor redação, “orientamos” qto à melhor forma de conduzir o trabalho sem q represente um calvário, independente do terrorismo do orientador.. rs..

    muito embora exista muita polêmica em torno dessa questão do FIGURA MOSTRA, DEMONSTRA, INDICA, eu, particularmente, também não vejo impedimento algum. Porém, como tudo em um trabalho acadêmico, quem bate o martelo é o orientador.

    alguns examinadores de banca, desatualizados ou com pouca intimidade com a nossa língua, dizem q ATRAVÉS DE, usa-se somente em situações com sentido de atravessar. Ex: Olhar através da janela, Andar através da rua… papo furado. Consultemos nosso bom Houaiss, antes de falar bobagem. ATRAVÉS DE é sim sinônimo de POR MEIO DE, POR INTERMÉDIO DE.

    sobre as ditas FIGURAS, QUADROS e TABELAS, se o seu orientador acha tb q não mostram, demonstram ou indicam nada, use A TABELA 1 CORRESPONDE A… O QUADRO 3 REPRESENTA…. A FIGURA 5 REFERE-SE… sempre existe uma saída, né?!

    Pós-graduandos! um trabalho acadêmico não precisa ser um sofrimento, nem um martírio. Basta q vc seja organizado, desenvolva uma boa estrutura para a sua pesquisa, uma diretriz, para q vc saiba o q pesquisar e até onde pesquisar. Nâo perca o foco, deixe a maionese pro sanduba. E, principalmente, peça ajuda e NÃO DEIXE TUDO PRA ÚLTIMA HORA!!!

    se o teu orientador foi condecorado por técnicas eficientes de tortura, não se intimide. Substitua por outro, se estiver em tempo. Se não, aproveite somente as informações q enriquecerão seu estudo. No mais, faça como minha mãe.. ouça aquilo q interessa e vá se divertir!

    Espero ter contribuído um pouco com vcs!!!

    grande abraço!

  • Jurandir Nascimento

    Tanto a norma gramatical,quanto a variação linguística,encontra lugar específico nas diversas produções literárias,por isso não se questiona uma adequação melhor dessas normas às variações diatópicas, agora as normas técnicas não definem especificamente sobre como e de que forma as diversas produções textuais devem ser construídas.Por outro lado,questiona-se sobre se a normatização técnica é ou não facilitadora de aprendizagens e de que forma podemos utilizá-la como um referencial facilitador na produção literária.A solução dessa problemática está muito além do atual momento sócio-histórico da educação brasileira.Essa é uma pequena ponta desse Iceberg,nesse grande mar de poucas novidades.

  • Victin99

    hum… Artigos de high impact são sempre em primeira pessoa… isso tem sido uma tendência… ;-)

    • Andre Smarra

      Exatamente…

      • http://www.posgraduando.com/ posgraduando

        Essa é uma prática muito comum em textos da área de humanidades, em que a opinião do autor possui grande valor.
        Em pesquisas empíricas e/ou experimentais, os dados são mais importantes que a opinião do autor e, por isso, existe esta recomendação de impessoalidade.

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