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Motivos para fazer a pós-graduação em outra instituição

Motivos para fazer a pós-graduação em outra instituição

Sejamos sinceros: fazer a pós-graduação na mesma instituição em que fizemos a graduação é algo muito tentador. As facilidades são muitas. Você já conhece os professores, os funcionários e os colegas que podem ter ajudar, e os que você deve evitar, para não ter dor de cabeça.

Você também já possui uma casa para morar, que depois de tantos anos ficou com o seu jeito. Já aprendeu a gostar da cidade, já fez amigos e, provavelmente, amores. Em resumo, agora que você já se sente o “reizinho do pedaço”, trocar tudo isso para começar do zero em outra instituição, às vezes em outra cidade também, não parece muito atraente.

Mas existem bons motivos pra você sair do ninho. Ao contrário do que nossa comodidade sugere, cursar cada etapa da vida acadêmica em uma instituição diferente pode ser muito vantajoso. Poderia fazer uma lista extensa com os motivos para cursar a pós-graduação em outra instituição, mas com a vida corrida que levamos, os textos na internet precisam ser cada vez mais sucintos. Por esse motivo, separei apenas os itens principais, mas caso queira acrescentar um motivo ou uma experiência à lista, fique à vontade para utilizar o espaço dos comentários.

1. Motivação.
Quando ficamos muito tempo em uma instituição, a tendência é de acomodar-se. Em uma instituição nova, ao contrário, surge a necessidade de conquistar reconhecimento, de mostrar a que veio, o que acaba por se tornar uma motivação extra para continuar estudando após a graduação. E isso, acredite em mim, reflete na sua produtividade e no seu currículo.

2. Novas idéias e métodos.
Em outra instituição você terá a oportunidade de conhecer novas idéias, opiniões e pontos de vista diferentes daqueles da sua graduação. O amadurecimento profissional é maior, tornando-se mais crítico em relação aos temas de seu interesse. E, de quebra, ainda aprende novos procedimentos, protocolos e métodos.

3. Disciplinas diferentes.
Quem faz a opção por continuar na mesma instituição muitas vezes acaba assistindo na pós-graduação às mesmas aulas da graduação. Não existe nada mais chato. E você perde uma boa chance de ver determinado tema sendo abortado com uma visão diferente, com exemplos e experiências até então desconhecidos por você.

4. Network.
Quem acha que pós-graduação resume-se a ser aprovado nas disciplinas e defender uma tese/dissertação está perdendo metade das oportunidades do curso. Quanto mais contatos profissionais, maiores as chances de ser informado sobre aquele concurso/vaga de emprego que pode ser a guinada na sua vida, além, é claro, de ter ao alcance alguém que pode socorrê-lo em uma hora de dúvida ou de dificuldade. Ao ir para outra instituição, você não perde os contatos da instituição anterior. Apenas os duplica.

Apesar do foco em quem está saindo da graduação, as idéias apresentadas neste texto também são válidas pra quem está saindo de um mestrado e procurando um doutorado, do mesmo modo que estes motivos também se aplicam na escolha de uma pós-graduação no exterior, com o adicional, nesse caso, do forte apelo da nova cultura e da experiência fantástica que é morar em outro país.

Postado por

Data: 5 de julho de 2010

Categoria: guia.

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Comentários

  • http://rafaelocremix.wordpress.com/ Rafael

    Você está certo em uma coisa. É um baita comodismo ficar na mesma instituição. Outra coisa, aqui na UFMA é exemplo disto, fazer a pos no mesmo departamento é assistir as mesmas aulas com os mesmos professores. Só que aqui temos dois programas muito semelhantes em departamentos diferentes e o que ocorre muito são os alunos alternarem as graduações e os mestrados. Alunos da Biologia, fazendo mestrado de Oceanografia e os de Oceanografia fazendo mestrado na Biologia. Mesmo assim, as vantagens de ir para outra universidade são muito grandes, a única real limitação é o custo. Em outra cidade, sem casa e sem bolsa, não dá…

  • http://www.officinadamente.com.br/blog Mauricio Peixoto

    Concordo com os itens 1 a 3. Já o quarto (network), precisa ser contextualizado. Acho que depende das circunstâncias. Ao sair você deixa de construir vínculos operacionais, isto é, deixa de publicar com seu antigo orientador. Passa a fazê-lo com outro. Claro que pode continuar tentando, mas longe dos olhos, longe do coração. Ainda mais que o seu novo orientador estará muito interessado em sua produção (com ele). O novo grupo a que vc se juntou está aberto a parcerias com o seu antigo? Os temas com que vc está trabalhando agregam valor à pesquisa do antigo? Ou seja, o novo é uma evolução “natural” do antigo? Ou é uma linha em oposição / concorrente com o antigo?
    Outras vezes, ficar com o antigo poder estreitar vínculos que facilita a participação em eventuais concursos na instituição.
    Por outro lado, tudo o que escrevi pode ser lido com sinais trocados. Amplia-se o network, torna-se uma ponte entre grupos, traz inovação ao grupo original, valoriza sua posição no primeiro grupo, e ainda mais, o seu grupo antigo pode dar a você um “plus” no novo grupo.
    Tudo depende. Do que? Do contexto (institucional e pessoal) que dá significado à sua decisão…

  • http://fisio-ortopedia.blogspot.com Wil

    A busca do novo e o questionamento científico podem continuar presentes na vida do pós-graduando, mas uma nova visão sobre os mesmos assuntos enriquece ainda mais a sua vida acadêmica. O network é fundamental e qd vc chega em outra instituição eles acontecem naturalmente. Nesse ponto pode fazer diferença a sua experiência prévia em outra universidade, pois a sua abordagem em diversos assuntos é, quase com certeza, diferente.
    Mudança = Crescimento

  • Luis

    Há quase dois ano vim fazer o mestrado em uma nova instituição, em um estado diferente (e bem longe) do meu, porque na minha cidade natal não havia mestrado na minha área. A experiência foi ótima, e acredito que todos deveriam ter essa oportunidade! Claro que bate a saudade da família e amigos, e da própria cidade natal, mas a convivência com pessoas de todos os lugares do Brasil, o aprendizado de coisas que não tínhamos sequer contato, é única!

    Para o doutorado eu fiquei seriamente em dúvida entre continuar na instituição ou fazer em uma outra, ou tentar no exterior. Por enquanto acabei optando por continuar na mesma instituição, mesmo porque são poucas as pessoas que trabalham com o tema que pretendo desenvolver. Mas confesso que até hoje ainda tenho minhas dúvidas (não fiz a matricula ainda), e penso em talvez esperar mais um tempo antes de tomar a decisão.

    Um aspecto que pega bastante é que você acaba criando vínculos na cidade, seja um aluguel em seu nome, um contrato a longo prazo de uma aula de língua estrangeira, etc. A decisão acaba ficando mais complicada ainda.

  • Luciano Nakabashi

    Concordo com os comentário. Eu fiz a graduação em economia na Unicamp, o mestrado em  Desenvolvimento Econômico na UFPR e doutorado em Teoria Econômica na UFMG, além de ser aluno visitante da FGV-RJ e da Universidade do Texas durante o doutorado. Toda essa mudança foi muito positiva e o fato de estar sempre iniciando em uma nova instituição me deixava mais motivado para continuar aprendendo. Isso também ajuda muito na realização de contatos que são importantes após o término do doutorado, ou seja, na vida profissional. Até o final do ano passado eu era professor do departamento de economia da UFPR e todos esses contatos foram importantes para o estabelecimento de pesquisa, trocas de conhecimento, convites para seminário e bancas de dissertação e tese, etc. (convidar e ser convidado). Nesse ano estou me mudando para USP de Ribeirão Preto e acho que essa mudança, mesmo na vida profissional, acaba sendo muito positiva. Também acho que deveria ter feito doutorado no exterior, pois é uma experiência muito positiva. Tenho planos de sair logo para um pós-doc no exterior, mas não é a mesma coisa que um doutorado com quatro anos fora. O que faltou acrescentar é que toda a mudança também é muito boa para o crescimento pessoal.

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